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Percurso Pedestre no Funchal - Da Marina ao Monte (Funchal)

Ao segundo dia na Madeira quisemos assumir o papel de verdadeiros turistas e descobrir a cidade do Funchal com as suas maiores atrações. Foi difícil incluir tudo numa caminhada de um dia, mas tentámos pelo menos passar nos locais mais icónicos, ainda que em alguns deles não pudéssemos ficar muito tempo para os “saborear” melhor.
Sendo este um percurso maioritariamente realizado a pé, verdade seja dita que o título é um pouco enganador pois a subida ao Monte (Nossa Senhora do Monte) foi feita no teleférico e parte da descida num “Carro de Cesto”. Não podíamos deixar de experimentar algumas das experiências mais “instagramáveis” da ilha.

Chegámos cedo ao Parque de Estacionamento da Praça CR7, junto à Marina. Estacionar no centro do Funchal não é fácil e este foi o parque que nos foi aconselhado pelo proprietário do apartamento onde ficámos alojados. Na marginal, junto à Marina, era um excelente ponto de partida para conhecer o Centro Histórico do Funchal.

O casario estende-se pelo anfiteatro do Funchal, rasgado por estradas sinuosas e socalcos verdes onde crescem pequenas hortas e as famosas bananeiras.

Atracado no cais estavam dois “monstruosos” navios cruzeiros, o maior com pelo menos oito andares de altura. É normal por estas bandas encontrarmos autênticas “cidades” aquáticas atracadas no cais pois a ilha faz parte do roteiro de muitas companhias, mas a sua imponência não deixa de impressionar.
Anexo ao Hotel Pestana, o Museu CR7 recebia já os seus primeiros visitantes e a estátua de Cristiano Ronaldo à entrada dava-lhes os bons dias enquanto se atropelavam para as habituais “selfies”.
Caminhamos no passeio da marginal, na Avenida do Mar e das Comunidades Madeirenses, onde é difícil encontrar um prédio sem um café ou restaurante. Não parámos já para o café da manhã pois tínhamos o caminho bem definido e muito para descobrir na Zona Velha. Subimos em direcção à Sé e na Praça Central da Avenida Arriaga contemplámos durante alguns instantes a dinâmica daquela artéria que refletia também a vivacidade do turismo na ilha. Continuámos mais um pouco até à Praça do Município onde para além do edifício da Câmara Municial podemos conhecer a Igreja do Colégio dos Jesuítas e descobrir o Museu de Arte Sacra. Pela Ponte do Bettencourt passámos na Ribeira de Santa Luzia e foi no final da Rua Dr. Fernão de Ornelas que encontrámos o lindíssimo Mercado dos Lavradores. Inaugurado em 1940 é hoje um polo de atracção de turistas na cidade. E turistas, maioritariamente estrangeiros, não faltam, de máquinas em punho, provando as frutas coloridas e aromáticas. Também fui abordado por uma simpática vendedora que em inglês me perguntou se queria provar um pedaço do que me parecia ser uma papaia. Quando respondi em português negando amavelmente a oferta, desfez-se em desculpas. Pensei que a probabilidade de a senhora falar com um português seria com certeza muito inferior à de encontrar alguém estrangeiro. Ao perguntar em inglês pouparia certamente tempo.
Comenta-se que no Mercado dos Lavradores os frutos dados a provar são mais doces do que aqueles que depois nos vendem, mas como não os provei nem comprei, não posso comprovar ou negar essa teoria.  Uma coisa garanto, não saímos decepcionados e gostámos muito dos cheiros, das cores das frutas e das flores, dos trajes, dos painéis de azulejos, da azáfama nos corredores… enfim uma explosão de sentidos.
Ao lado visitámos a peixaria onde o peixe fresco do dia é preparado por mãos sábias. Ao escrever este texto fico literalmente com água na boca ao recordar as postas de atum de um vermelho carregado e o peixe-espada laminado em filetes ou cortado para grelhar. Subimos ao terraço e nos bancos de madeira pudemos aproveitar um pouco os raios de sol matinais enquanto esperámos pelo Marco dos Amigos da Natureza. Fazíamos questão em conhecê-lo pois com a disponibilidade que demonstrou ao ajudar-nos no planeamento dos trilhos (mais acessíveis a famílias com uma criança pequena) só podia ser boa gente.
Foi já fora do mercado que acompanhámos o café com conversas sobre a ilha, os caminhos percorridos, o turismo, o futuro… mas o tempo não pára e sem darmos conta eram quase horas de almoço.
Despedimo-nos e continuámos a caminhada pela Zona Velha, percorrendo a Rua de Santa Maria umas das ruas mais emblemáticas da cidade. No âmbito do “Projecto artE de pORtas abErtas” muitas das portas gastas pelo tempo ganharam nova vida à mão de artistas locais que as trabalharam, pintaram e nelas criaram instalações artísticas. Foi por aí perto que almoçámos. A oferta era muita mas não queriamos demorar e optámos por uns deliciosos petiscos regionais.

Percurso Pedestre no Funchal - Da Marina ao Monte (Funchal)

Depois de almoço seguimos para o Jardim Almirante Reis para apanhar o teleférico para o Monte. É provável encontrar aqui um grande afluxo de turistas, por isso reservem algum tempo para estar na fila de espera, quer para tirar o bilhete, quer para subir à plataforma de embarque.
A nossa vez chegou e a Maria estava radiante.
– “Vamos andar de comboio!” – dizia entre pulos descoordenados.
Iniciámos a subida e as paisagens deslumbrantes que nos são oferecidas fazem-nos esquecer o tempo de espera nas filas. Não sabemos para onde olhar e a máquina fotográfica entra num frenesim de disparos, com medo de perder qualquer plano desta tela a 360º. O casario estende-se pelo anfiteatro do Funchal, rasgado por estradas sinuosas e socalcos verdes onde crescem pequenas hortas e as famosas bananeiras.
Chegámos ao Monte a 550m acima do nível do mar. Percorremos o Caminho das Babosas e passámos junto ao Jardim Tropical Monte Palace que infelizmente não visitámos por falta de tempo mas também por acharmos o preço do bilhetes algo exagerado para uma família. Continuámos até à Igreja de Nossa Senhora do Monte e após subir a escadaria, contemplámos a baía em toda a sua plenitude. Respirámos fundo.

No Parque anexo, avançámos pelo Caminho Padre José Marques Jardim e percorremos o trilho até ao Largo da Fonte. Estava na hora de regressar e só o podíamos fazer em grande estilo nos famosos “Carros de Cesto”. Bem apertadinhos, com a Maria encaixada entre os dois e a mochila aos nossos pés iniciámos a descida no “carro” produzido artesanalmente com vime e madeira. Os dois carreiros manobravam com mestria o seu veículo à medida que este ganhava velocidade. Com chapéu de palha e trajados de branco são nas botas com solas grossas que têm a maior riqueza, pois estas são usadas como travões garantindo assim a segurança dos milhares de visitantes que todos os anos se aventuram nesta descida emocionante de cerca de 2 km entre o Monte e o Livramento. No final não resistimos a uma poncha para ganhar forças para o que ainda faltava da descida, agora a pé, até à marina do Funchal.
Pelo Caminho do Monte e Rua de Santa Luzia, com a ajuda da Torre da Sé que ao longe nos guiava o rumo, rapidamente chegámos à Avenida Arriaga. Zona nobre, com edifícios lindíssimos dos quais destaco o do Banco de Portugal e o Teatro Municipal Baltazar Dias.
No Jardim Municipal comprovámos as cores que dão alcunha a esta “Ilha das Flores” e enquanto um navio cruzeiro abandonava a ilha, sentámo-nos ao pôr-do-sol junto à Capela no Parque de Santa Catarina, com vista privilegiada para a baía do Funchal.
O dia repleto de emoções chegava ao fim. Amanhã rumaríamos a Santana e São Vicente para novas aventuras.

Percurso Pedestre no Funchal - Da Marina ao Monte (Funchal)

Pontos de Interesse:

Marina, Centro Histórico (Zona Velha), Sé Catedral, Avenida Arriaga, Igreja do Colégio dos Jesuítas, Museu de Arte Sacra, Mercado dos Lavradores, Rua de Santa Maria, Jardim Almirante Reis, Teleférico, Monte, Jardim Tropical Monte Palace, Igreja de Nossa Senhora do Monte, Carros de Cesto, Jardim Municipal e Parque de Santa Catarina.

Dicas:

– Para visitar o Funchal, estacionar o carro no Parque de Estacionamento da Praça CR7, junto à Marina. É um parque subterrâneo cuja entrada fica na Av. Francisco Sá Carneiro, perto do Museu e Hotel Pestana CR7. É dos mais em conta e evita-se o trânsito do centro da cidade.
– Visitar o Mercado dos Lavradores mas ter cuidado com alguns preços inflacionados e tentar comprar produtos genuínos aos lavradores da região que realmente os cultivam.
– Andar de teleférico mas tirar o bilhete antecipadamente. É provável um grande afluxo de turistas e as consequentes filas de espera. Optar por um lugar virado para o mar, ou seja, de costas para o Monte para apreciar as paisagens enquanto sobe.
– Antes de visitar a Madeira, consultar a agenda de caminhadas dos Amigos da Natureza pois são realizadas geralmente por trilhos fora do circuito turístico habitual.
– Descer do Monte nos “Carros de Cesto” e beber uma poncha no final. Aqui, se o cansaço apertar, é possível apanhar um táxi ou autocarro até ao centro do Funchal.

FICHA TÉCNICA

Marcação
0/5marcação

Dificuldade
3/5dificuldade

Paisagem
4/5paisagem

Elevação mínima
7melevação mínima

Elevação máxima
581melevação máxima

Subida acumulada
623msubida acumulada

Descida acumulada
624mdescida acumulada

Distância
15,2kmcircular

Tempo
6h:00m
ALTIMETRIA
Altimetria
DOWNLOAD GPS (GPX + KML)

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