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Percurso Pedestre da Aldeia da Cuada ao Poço da Ribeira do Ferreiro (Poço da Alagoinha) (Lajes das Flores - Flores)Esta era já a segunda visita ao Arquipélago Açoreano. Após termos estado há dois anos na Ilha de S. Miguel, nos próximos dias iríamos conhecer as ilhas do Grupo Ocidental, Flores e Corvo. A ansiedade crescia com o aproximar da hora do voo e agora com a bebé, os cuidados a ter bem como a preparação e a logística da viagem eram diferentes.
Descolámos bem cedo do Aeroporto Humberto Delgado para fazer escala na Horta, Ilha do Faial, antes de seguirmos para as Flores. Devido às condições atmosféricas, em especial ao denso nevoeiro que se abateu sobre a Ilha das Flores, partimos com algumas horas de atraso da Horta e a aterragem foi um pouco atribulada pois só à segunda tentativa conseguimos pisar a pista de Santa Cruz das Flores.
À nossa espera no aeroporto estava já o transfer para a Aldeia da Cuada que nos iria acolher nestes dias de descoberta da ilha. Não foi preciso percorrer os cerca de 20km que separam o aeroporto da aldeia para rapidamente percebemos que os dias iriam ser poucos para conseguirmos percorrer e conhecer toda a magnitude da obra feita pela natureza nesta ilha. Caldeiras, lagoas, grandes escarpas, uma imensidão de verdes, cascatas, ribeiras…água, muita água que corre desenfreada para todos os lados, fontes de vida que rasgam a ilha e levam o olhar com elas.
Ao chegar à Cuada, a respiração parou. Neste primeiro contacto, lembro-me de pensar que se o paraíso existe, então muito provavelmente seria ali. Muito provavelmente.
A aldeia situada no extremo mais ocidental da Europa é constituída por diversas habitações em pedra, outrora humildes lares de uma vida dura e que foram sendo abandonados em consequência do fluxo migratório, em especial para os EUA, nos anos 60. A agricultura e a tecelagem eram as principais actividades e fontes de rendimento de uma população que vivia praticamente isolada neste planalto com difíceis acessos ao mar.
Em boa hora Teotónia e Carlos Silva, os nossos anfitriões, sonharam e reconstruiriam passo a passo a alma deste lugar, revigorando-a para que hoje outros a possam apreciar também.
Pedra sobre pedra, o sonho foi-se tornando cada vez mais real e as dificuldades encontradas são hoje transformadas em motivo de orgulho e satisfação ao celebrar a emoção com que cada visitante sente este pequeno cantinho.
O dia ainda ia a meio e apesar de algo cansados da viagem, não podíamos perder muito tempo. Cada minuto perdido significava menos um minuto para conhecer mais algum motivo de interesse da Ilha Rosa, assim denominada devido à abundância de azáleas nesta terra húmida.
Decidimos então esticar um pouco as pernas e conhecer o primeiro cartão de visita das Flores, o Poço da Ribeira do Ferreiro, também conhecido por Poço da Alagoinha ou Lagoa das Patas. Desde a aldeia, seguimos pela direita e encontramos a estrada regional que continua para a Fajã Grande. Avançamos em sentido contrário até encontrar a Ponte da Ribeira do Ferreiro. Logo aqui observamos uma sequência de pequenas quedas de água que estrondosamente segue o seu rumo nas rochas negras sob a ponte. Imediatamente a seguir, a placa com a indicação “Poço da Ribeira do Ferreiro” não nos deixa enganar. Pela esquerda iniciamos a subida num trilho bem definido já com as marcas do percurso pedestre homologado “PR2 FLO – Lajedo – Fajã Grande”. O caminho em terra batida vai dando lugar a grandes lajes de pedra que, com a inclinação e o elevado grau de húmidade, se podem tornar muito escorregadias. Com cuidado fomos prosseguindo pelo bosque frondoso até nos depararmos com uma impressionante obra prima da natureza.

Um local quase puro, quase virgem, protegido da acção do homem.

Da parede rochosa caem vertiginosamente um sem número de cascatas para uma lagoa paradisíaca. Não encontro as palavras certas para descrever este local quase puro, quase virgem, protegido da acção do homem. Sem dúvida um pequeno pedaço de céu que aqui nas Flores existe para nossa contemplação.
Regressamos pelo mesmo trilho de lajes, agora com cuidado redobrado ao descer, até à Ponte da Ribeira do Ferreiro onde pela direita subimos a ladeira íngreme em asfalto.
Os cumes das montanhas estão envoltos numa densa névoa que esconde parte das verdes e dramáticas encostas mas que, por outro lado, cria uma maravilhosa paisagem fantasmagórica. Encaminhamo-nos por um trilho ladeado com muros de pedra sobreposta e dali a pouco reencontramos novamente a estrada em asfalto que nos leva de regresso à Aldeia da Cuada.
Aldeia da Cuada

FICHA TÉCNICA

6,0 kmscircular
ALTIMETRIA
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