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No Barco das Flores para o Corvo (Flores e Corvo)Chegámos ao Porto das Poças em Santa Cruz das Flores muito antes da hora prevista de embarque no Ariel. O barco que nos iria transportar para a Ilha do Corvo estava já atracado à espera da tripulação, enquanto a ondulação, ajudada pelo vento forte que se fazia sentir, o precipitava de encontro às paredes do cais. Os passageiros chegavam amiúde e posicionavam as mercadorias e bagagens junto aos degraus que nos aproximavam do nível do convés.
A tripulação chega com o aviso de algum atraso na partida. Assumimos que talvez fosse o mau tempo a razão deste atraso e aguardámos pacientemente. Entretanto todas as bagagens iam sendo acomodadas no barco para agilizar o processo de embarque. Olhei para a linha do horizonte e imaginei as surpresas que nos esperavam no Corvo.
A bebé não tinha dormido a sua sesta retemperadora e por isso estava um pouco saturada desta espera. Por voltas das 17h é entregue à tripulação uma encomenda para transportar para o Corvo, que aparentemente seria a razão desta demora, pois o embarque dos passageiros é iniciado de imediato. É compreensível que sendo o transporte entre as duas ilhas tão escasso e dependente de condições meteorológicas, a vida e os horários se adaptem a estas necessidades e urgências.
Ligam-se os motores num ronronar ensurdecer e deixamos para trás a terra firme da Ilha das Flores. O Ariel não vai lotado, havendo ainda alguns lugares vazios da sua capacidade máxima de 12 passageiros, o que dificilmente acontece durante os dias de Verão.
Saímos dos limites do Porto das Poças e iniciámos a travessia do canal, praticamente em linha recta para norte, com destino ao Porto da Casa, na Vila do Corvo. A um ritmo constante, a bebé adormeceu nos primeiros instantes da viagem e não sentiu a forte ondulação que, a partir do meio do trajecto, ia aumentando à medida que nos aproximávamos do Corvo.
O Porto da Casa estava a sofrer obras de melhoramentos e alargamento pelo que à chegada, após quase 40 minutos desde as Flores, ainda esperámos mais alguns para poder atracar no cais. Estes minutos pareceram horas quando o enjoo começou a surgir nos passageiros. A lancha na água, embalada para um lado e para o outro, sem rumo certo enquanto aguardava pela retirada da plataforma foi uma pequena tortura dispensável.

A um ritmo constante, a bebé adormeceu nos primeiros instantes da viagem e não sentiu a forte ondulação que, a partir do meio do trajecto, ia aumentando à medida que nos aproximávamos do Corvo.

A bebé continuava a dormir. Do mal o menos.
Quando finalmente pisámos terra firme, foi um descanso e alivio para os nossos estômagos.
À nossa espera estava já o Luís, o “pirata” do The Pirates’ Nest onde iríamos ficar nestes dias de aventura pelo Corvo. Prestável desde o primeiro momento, a empatia foi imediata e após carregar com as nossas mochilas para a carrinha, seguimos para o alojamento local. Fizemos uma pequena pausa no mini-mercado para nos abastecermos de comida para os próximos dias. O abastecimento tinha acabado de chegar e tivemos a sorte de encontrar uma fruta fresquinha.
Após nos instalarmos no nosso “ninho” descemos à vila para jantar. Escolhemos o “Restaurante Traineira” seguindo a sugestão do Luís. Encontrámos um espaço modesto, humilde e fiel à vida na ilha, onde em poucos instantes já nos sentíamos em casa. Fomos tão bem recebidos que até a bebé já percorria alegremente a cozinha e a sala, ao colo dos seus novos amigos. Hoje jogava a Selecção Portuguesa no Euro 2016 e era chegada a hora de, em sintonia com os corvinos, puxar pelos nossos “Patrícios”.

FICHA TÉCNICA

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