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Para chegar à Ilha de Cabanas, é necessário primeiro atravessar a Ria Formosa. O acesso faz-se de barco a partir da marginal de Cabanas de Tavira, numa curta travessia que, por si só, já permite começar a apreciar a paisagem envolvente. No nosso caso, como ficámos alojados no Golden Club Cabanas, utilizámos o transporte disponibilizado junto ao hotel, pequenas embarcações que também fazem a ligação à ilha.

Já na outra margem, iniciámos o percurso junto à Praia de Cabanas e seguimos para nordeste, acompanhando a longa faixa de areia e afastando-nos gradualmente da zona mais frequentada. À medida que avançamos, a presença de banhistas vai diminuindo, a paisagem torna-se mais aberta e a verdadeira dimensão deste cordão arenoso do Sotavento Algarvio começa a revelar-se. Entre o Atlântico e a Ria Formosa, esta é uma caminhada em jeito de passeio, mas com aquele cenário de fundo que nos convida a continuar sempre mais um pouco.

A Ilha de Cabanas e a Ria Formosa

A Ilha de Cabanas é uma das ilhas-barreira que protegem a Ria Formosa do Oceano Atlântico. O Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas identifica cinco ilhas-barreira neste sistema: Barreta, Culatra, Armona, Tavira e Cabanas, além das penínsulas do Ancão e de Cacela.

Com cerca de 7 kms de extensão, a Ilha de Cabanas apresenta-se como uma longa e estreita faixa de areia dourada, localizada em frente à povoação de Cabanas de Tavira. Do lado interior encontra-se a Ria Formosa; do outro, o Atlântico.
É esta posição entre dois ambientes tão diferentes que torna a caminhada particularmente interessante.

Uma ilha ligada à história de Cabanas

Cabanas de Tavira é uma localidade cuja história está profundamente ligada à pesca.
Ainda hoje, observando a marginal, são visíveis diversas embarcações de pesca artesanal e antigas casas de aprestos que ajudam a recordar essa ligação ao mar. A própria história da zona está relacionada com a atividade piscatória e com a pesca do atum, que teve durante séculos grande importância económica nesta zona do Algarve.
Antes ou depois da caminhada, vale a pena percorrer também a marginal de Cabanas e observar a ilha a partir da margem oposta.
É uma perspetiva completamente diferente daquela que temos quando já estamos sobre o areal.

Da Praia de Cabanas para nordeste

Depois de chegar à ilha, seguimos inicialmente pelo passadiço em direção à zona concessionada e começámos depois a caminhar para nordeste, acompanhando o areal.

Não há aqui subidas, descidas, cruzamentos complicados ou grandes dúvidas relativamente ao caminho, pois o trilho é a própria praia.

Caminhar numa praia quase selvagem

Uma das melhores secções deste percurso surge quando deixamos para trás a zona de maior concentração de banhistas.
A paisagem simplifica-se, ficam a areia, o mar, as dunas e uma linha de costa que parece prolongar-se indefinidamente à nossa frente.

Não existem propriamente pontos de interesse monumentais ao longo deste trajeto. O interesse está precisamente no território e na possibilidade de observar uma das estruturas naturais que tornam a Ria Formosa tão especial.

O Parque Natural da Ria Formosa possui cerca de 17.900 ha e estende-se desde o Ancão até à Manta Rota. O sistema integra ilhas-barreira, sapais, bancos de areia e vasa, dunas, salinas e diferentes ambientes lagunares.

A faixa de areia sobre a qual caminhamos desempenha assim uma função muito mais importante do que aquela que podemos imaginar enquanto simplesmente passeamos pela praia: integra o sistema de ilhas-barreira que separa e protege a laguna da ação direta do Atlântico.

De um lado o Atlântico, do outro a Ria Formosa

Mesmo quando caminhamos junto ao mar, a presença da Ria Formosa nunca está verdadeiramente longe.

A Ilha de Cabanas é suficientemente estreita para percebermos, a todo o instante, que estamos num território moldado pela água, pela areia, pelo vento e pelas marés.

O próprio sistema lagunar é extremamente dinâmico. Parte da Ria Formosa permanece permanentemente submersa, enquanto outras áreas ficam expostas durante a baixa-mar. Esta alternância está na origem de habitats como os bancos de areia e vasa e os sapais.

É também uma zona de elevada importância para as aves. A Zona de Proteção Especial da Ria Formosa destaca-se particularmente pela presença de aves migratórias, incluindo várias espécies de limícolas, anatídeos e aves marinhas.

Por isso, mesmo numa caminhada aparentemente tão simples, estamos dentro de um dos sistemas naturais mais ricos e importantes do Algarve.

Caminhar sem deixar marca

Estamos dentro de uma área protegida e isso implica alguns cuidados.

As dunas são particularmente sensíveis ao pisoteio. Caminhar fora dos acessos autorizados pode danificar a vegetação dunar e acelerar a degradação destes sistemas, recomendando expressamente a utilização dos passadiços e acessos existentes.

Nesta caminhada não existe qualquer necessidade de atravessar as dunas, o melhor caminho é também o mais simples: seguir pelo areal junto ao mar, respeitar a sinalização existente e deixar a vegetação dunar intacta.

Nos meses mais quentes convém ainda ter especial atenção à exposição solar. Fora da zona concessionada praticamente não existem sombras e, à medida que nos afastamos dos apoios de praia, também deixamos de ter serviços por perto.


Vale a pena visitar a Ilha de Cabanas?

Sem dúvida. Não é uma caminhada para quem procura grandes desafios físicos, paisagens dramáticas, desníveis ou uma sucessão de monumentos e pontos turísticos. É quase o contrário.

É um percurso para caminhar devagar, sentir a areia debaixo dos pés, ouvir o Atlântico e descobrir uma zona da praia onde, poucos quilómetros depois da área mais movimentada, a paisagem começa a pertencer novamente à natureza.

São apenas cerca de 4 kms, mas suficientes para perceber a beleza e a importância da Ilha de Cabanas. É uma pequena parte de um enorme sistema natural em constante transformação.

E, como tantas vezes acontece, caminhar continua a ser uma das melhores formas de o descobrir.


Pontos de Interesse:

Praia de Cabanas, Ilha de Cabanas, Parque Natural da Ria Formosa, sistema de ilhas-barreira da Ria Formosa, cordão dunar, sapais e zona lagunar da Ria Formosa, Oceano Atlântico, paisagem sobre Cabanas de Tavira.

Fontes:

FICHA TÉCNICA

Marcação
0/5marcação

Dificuldade
1/5dificuldade

Acessibilidade
Não Acessívela carrinho de bebé

Paisagem
3/5paisagem

Elevação mínima
5melevação mínima

Elevação máxima
17melevação máxima

Subida acumulada
46msubida acumulada

Descida acumulada
37mdescida acumulada

Distância
4,2kmlinear
ida e volta

Tempo
1h:40m
 
SUGESTÕES

 
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