PR2 COR - Caldeirão (Vila do Corvo - Corvo)

Não serão precisas muitas palavras para descrever o Caldeirão da Ilha do Corvo. Olhando para a foto acima percebe-se o porquê.
Ao terceiro dia na ilha, o nevoeiro finalmente levantou e bem cedo subimos pela única estrada de acesso ao Caldeirão para realizar o trilho assinalado “PR2 COR – Caldeirão”. É no denominado Monte Gordo que se situa a cratera com 3,7 km de perímetro e 300 m de profundidade que localmente é conhecida por Caldeirão.

O Caldeirão dispôs-se hoje a mostrar-nos toda a sua magnitude nesta harmonia indescritível. Fez-se difícil nos primeiros dias mas hoje deu-nos o que ansiávamos. Aqui está-se mesmo muito bem.

Não fizemos exactamente o percurso oficial, descrito nos mapas turísticos. Com o Luís do “The Pirates’ Nest” como guia, iniciámos a caminhada junto ao miradouro do Caldeirão. Descemos acompanhando nesta fase inicial as marcas em direcção à lagoa. Esta secção do trilho é ladeada por morros cobertos de musgo onde alguns fios de água vão pingando e tornando o caminho muito lamacento. Cuidado por isso com o sítio onde colocam os pés. A cerca de 900m o caminho oficial segue pela direita mas nós fomos pelas ilhotas no meio dos pequenos lagos. Que delícia caminhar no centro da cratera. Para onde quer que olhar fugisse, as paredes retalhadas em verdes de diferentes tons ou riscadas na vertical pelos inúmeros cursos de água, muitos já secos, tornavam este cenário como algo surreal, não deste mundo com certeza. Não queríamos acreditar que estávamos ali. Após três dias de nevoeiro cerrado que não nos permitia vislumbrar a mais de dois metros a esta altitude, a paciente espera tinha sido compensada.
Afastamo-nos agora das lagoas para iniciar a subida, ziguezaguando na parede da cratera até ao topo da Ponta do Marco. Esta é talvez a secção mais complicada do percurso, quer pela grande inclinação, quer pelo tipo de terreno “falso” onde dificilmente conseguimos progredir sem nos enterrarmos até ao joelhos. Literalmente.
Ao chegar ao topo descansámos para repor energias. As paisagens são assustadoramente belas. Tanto para o interior do Caldeirão, como para as finas arestas destas paredes que o cercam, como ainda para o mar de um azul intenso e as dramáticas escarpas que dele se erguem em vértices cortantes.
Enquanto nos refrescávamos junto a um tufo de hortênsias, observámos do lado oposto da lagoa, na parede sul, o Morro dos Homens, o ponto de maior altitude da ilha com 718 m.
O Caldeirão dispôs-se hoje a mostrar-nos toda a sua magnitude nesta harmonia indescritível. Fez-se difícil nos primeiros dias mas hoje deu-nos o que ansiávamos. Aqui está-se mesmo muito bem.
Iniciámos a lenta descida pelo mesmo trilho e já junto à lagoa fomos pela esquerda, caminhando pelas suas margens seguindo a sinalização do percurso oficial. A última subida até ao miradouro foi feita a ritmo de caracol, aliás penso que vi um a ultrapassar-me…se por um lado o calor deste dia de Verão era já forte, por outro não queria deixar para trás este postal ilustrado. Queria levá-lo na bagagem, gravá-lo bem na memória…a espaços olhava para trás e respirava fundo.
Chegámos ao ponto onde iniciámos a caminhada e terminámos o percurso com cerca de 5km de distância. Descemos à vila para almoçar e visitar a “Cara do Índio” durante a tarde.

The Pirates' Nest

FICHA TÉCNICA

4,9 kmscircular
ALTIMETRIA
Altimetria
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