PR1 COR - Cara do Índio (Vila do Corvo - Corvo)

A carrinha parou a meio caminho da estrada entre a Vila e o Caldeirão. Esta era a última tarde passada na Ilha do Corvo pois na manhã seguinte e após 4 dias fantásticos, tínhamos o voo para o continente marcado por volta da hora de almoço.
Não podíamos regressar sem conhecer a Cara do Índio, a famosa pedra que dá asas à nossa imaginação. Percorrer o percurso assinalado “PR1 COR – Cara do Índio” foi também a despedida dos trilhos do Corvo, ficando sempre mais alguns para calcorrear numa próxima visita.
Numa caminhada anterior já conhecemos parte deste trilho pela vila e iríamos agora descobrir a restante.
O nosso amigo Luís, proprietário do “The Pirates’ Nest“, sugeriu, e muito bem, começar esta caminhada junto à estrada em asfalto que segue para o Caldeirão, mais propriamente junto a uma placa com a informação “Cara do Índio – 1,4 km”. Assim o fizemos, iniciando o percurso num caminho de terra batida ladeado por muros de pedra negra e hortênsias azuis e brancas. À nossa esquerda as paisagens oceânicas e à direita os montes e pastagens verdes riscadas a negro com a mesma pedra que ladeia o caminho. Uma manta de retalhos em tons de verde exuberante, uma paisagem que, não fossem os muros de pedra, diria ter permanecido intocada pelo homem ao longo dos tempos. Aqui no Corvo, como nos Açores em geral, temos essa sensação de respeito pelo que a natureza oferece ao homem para cuidar.
Fizemos um pequeno desvio para conhecer as antigas instalações da Fábrica de Manteiga da Cooperativa Agrícola Corvense, agora abandonada. Como curiosidade, anexa ao edifício da fábrica existe ainda uma retrete a céu aberto que servia de instalações sanitárias aos trabalhadores. Seria provavelmente a casa de banho com melhores vistas em Portugal.
Regressámos ao percurso assinalado para mais adiante voltarmos a sair em direcção a norte para conhecer a Fajã da Madeira. Em boa hora fizemos este desvio para descobrir as magníficas paisagens da costa oeste da ilha. As escarpas abruptas terminam num azul cristalino enquanto o gado se alimenta nas zonas mais improváveis. Atravessámos alguns pequenos cursos de água que correm do alto da montanha para o mar e encontrámos umas curiosas buracas, quase encobertas pelas hortênsias e que despertam a nossa imaginação.

Aqui no Corvo, como nos Açores em geral, temos essa sensação de respeito pelo que a natureza oferece ao homem para cuidar.

Chegámos a uma espécie de miradouro onde lá em baixo podemos observar a Fajã da Madeira enquanto ouvimos as histórias que o Luís tem para nos contar sobre a importância desta fajã e da madeira em tempos idos na Ilha do Corvo. Retornámos por um trilho ainda mais a oeste permitindo-nos observar a costa de uma outra perspectiva. Ao longe a fajã lávica onde se situa a vila sobressai penetrando pelo mar adentro como que de uma língua de pedra se tratasse (ver imagem acima).
Chegamos agora ao inicio oficial do percurso (e penso no que teria perdido se apenas me cingisse ao trilho oficial) onde encontramos o painel informativo. Entre muros, vedações para o gado e hortênsias o caminho desenvolve-se ziguezagueando entre terrenos de pastoreio. Rapidamente chegamos ao miradouro onde podemos observar a famosa Cara do Índio, uma pedra negra esculpida pela natureza que se assemelha a uma face humana, o índio foi a figura escolhida para a representar. Usando um pouco da imaginação conseguimos distinguir o nariz, os olhos e a boca naquela aresta pontiaguda da falésia. Se desviarmos o olhar um pouco mais para o lado, um outro conjunto de rochas chama a nossa atenção, desta vez em forma de vaca que repousa num pequeno planalto rochoso.
Está na hora de seguir e percorrer a última secção do percurso, fazendo as devidas despedidas a esta paisagem que já deixa saudades, não sem antes o Luís nos dar a conhecer o seu local secreto. Por ser secreto não o irei revelar aqui, apenas digo que é o local com as melhores vista sobre a Vila do Corvo e que poderão facilmente passar ao lado dele se não forem com a atenção máxima neste ultimo troço do percurso.
Mais adiante encontramos a estrada principal e entramos na vila onde concluímos a caminhada com cerca de 9,4 km de extensão, despedindo-nos da melhor forma dos trilhos corvinos.

The Pirates' Nest

FICHA TÉCNICA

9,4 kmscircular
ALTIMETRIA
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