De Rygge a Fla?m (Noruega)
A noite estava agitada. Mais um par de meias, mais uma T-Shirt, os bilhetes impressos alguns dias antes….a mala estava composta sem exageros. Como mala de mão, deveria encaixar na medida estandardizada da companhia de voos “low cost” que escolhemos.
Saímos já passava das 23h para percorrer meio país até ao aeroporto de Faro. O voo era às 7 da manhã e queríamos fazer a viagem com alguma “margem de manobra” e sem pressas.
Com algumas paragens no percurso para refrescar a cara e revezando-nos na condução, chegámos ao aeroporto com a antecedência prevista. Estava praticamente deserto.
Pouco a pouco chegavam alguns funcionários e passageiros destes voos madrugadores.
Com o check-in feito online, ocupámos os lugares no avião mal abriram as portas. À hora prevista seguimos para Rygge, Noruega.
A expectativa e ansiedade eram imensas. Por muita pesquisa feita, navegando em dezenas de websites turísticos noruegueses, nada me prepararia para o que iria encontrar.
O voo de cerca de 4 horas correu bem, tendo em conta o permanente “mercado” a que fomos sujeitos, desde “drinks and snacks” a perfumes, passando por cartões de telemóveis…a qualquer instante esperava a entrada de um vendedor de tapetes mas tal não aconteceu…
Estava de directa e assim continuei a estar…dormir estava decididamente fora de questão.
Chegámos a Rygge uns minutos antes do horário previsto. Após o aluguer do carro que nos iria acompanhar na estada na Noruega, partimos para mais uma etapa da aventura. Tínhamos pela frente uma viagem de cerca de 5 horas pelas estradas da Noruega até Flåm, onde reservámos alojamento para os primeiros dias.
Quem já conduziu na Noruega, sabe bem o que isso significa…excesso de velocidade é coisa impensável…a velocidades controladas de 50 a 80 kms/hora, mesmo fora das localidades, os constantes radares que íamos encontrando na viagem não nos deixavam esquecer as regras de trânsito.
Continuávamos de directa.
Os estômagos vazios aconselharam-nos a parar numa barraca “fast food” a meio da viagem. Que maravilha soube aquela comida plastificada. Acredito que qualquer coisa para mastigar naquela altura nos teria sabido bem, muito bem mesmo, acreditem.
Pela viagem e com o aumento da altitude, testemunhámos a mudança da paisagem. Dos campos verdes e lagos azuis, chegámos às altas montanhas cobertas de branco cintilante e aos lagos gelados que as sustentavam.
Flam, o destino escolhido para os primeiros dias na Noruega, estava já perto.
Após a travessia de um último túnel a povoação que nos iria acolher era já visível. Não sendo muito populosa, facilmente encontrámos o alojamento reservado.
Junto a uma pequena marina, o nosso apartamento surpreendeu-nos. Com umas vistas fenomenais para os fiordes, nem queríamos acreditar na sorte que nos coubera. Na varanda, as máquinas fotográficas não tiveram descanso. A espaços íamos “desempacotando” as mochilas…
Já devidamente instalados, saímos para um reconhecimento de Flåm. A pitoresca localidade conta com uma estação de caminhos de ferro e um porto marítimo com capacidade para grandes cruzeiros. Foram aliás vários os que por lá vimos atracar aquando da nossa estada.
Uma loja de “souvenirs”, um mini-mercado, dois restaurantes/bares e outros tantos hotéis são basicamente toda a oferta de serviços existente em Flåm.
No mini-mercado enchemos a dispensa com bens de primeira necessidade…pão, leite, água e tudo o que considerámos imprescindível ao pequeno almoço (visto que as restantes refeições não as faríamos em casa)
Para o final de tarde perfeito, deleitámo-nos com um pequeno luxo. Comprámos amendoins e juntamente com uma cerveja norueguesa foram a nossa companhia enquanto o sol se escondia por detrás dos fiordes.
Saboreámos o momento.
Por esta altura do ano (Maio) não anoitece completamente em algumas zonas da Noruega. Fica um permanente lusco-fusco. Estranhámos a principio mas nada que não nos impedisse de recuperar as horas de sono perdidas no dia anterior.

FICHA TÉCNICA

(inscreve-te já na newsletter para receberes os próximos percursos por email)