Arquivo de Novembro, 2010

Este foi um percurso há muito desejado e por isso muito especial.
A minha avó é natural de Mortágua, mais propriamente da aldeia de Monte de Lobos. Durante quase uma vida, os meus avós aguardavam ansiosamente por alguns dias de felicidade e sossego passados na terra onde sempre se sentiam tão bem. Era uma fuga à cidade e a todo o seu reboliço.
Lembro-me de passar dias da minha infância com os meus primos no “poço fundo” (uma piscina natural no rio que assim denominámos), ou na ponte à entrada da aldeia, banhando-me na água pura e fresca que corria livremente entre os enormes seixos escorregadios.
Lembro-me das vindimas, da azáfama entre as vinhas carregadas com bagos doces e suculentos, de pisar as uvas no lagar e sentir o odor intenso que varria o monte. Os dias pareciam não terminar.
Ainda hoje os olhos do meu avô brilham, sorriem e quase saem das órbitas quando falamos de Monte de Lobos. Terra que não a dele mas que o acolheu e lhe ofereceu dias de intensa felicidade.
Assim que eu soube que Mortágua tinha um percurso pedestre assinalado, não podia deixar de o levar lá. Era como que um regresso às origens, ao lugar onde tantas vezes foi feliz.
Companheiro também de outras caminhadas não se fez nada rogado e combinámos o dia.
Contactei a Autarquia de Mortágua que de imediato se disponibilizou para me enviar o mapa do percurso.
No dia marcado, chegámos à pequena ponte sobre a Ribeira das Paredes, na estrada que liga a aldeia do Carvalhal a Laceiras, ainda a tempo de sentir o orvalho matinal a escorrer pelas verdes folhas do bosque. Estávamos no início do PR1 – Percurso Pedestre das Quedas de Água das Paredes.
A escassos metros encontrámos um Moinho de Água. O percurso, bem delineado e assinalado, segue o curso da Ribeira das Paredes, também designada por Ribeira dos Moinhos.
Encontrámos pelo trilho vários locais que convidam ao lazer, a parar um pouco, observar e ouvir. Tendo a ribeira como banda sonora, descobrimos as ruínas de antigos moinhos de rodízio, locais agora restaurados e convertidos em parques de merendas, corredores com árvores recentemente plantadas, demonstrando o cuidado que a autarquia dedica a este tipo de turismo.
Ao chegar à aldeia de Paredes, localidade com cerca de 50 habitantes, a sinalização indicava que as quedas de água estariam já próximas.
Atravessámos a pequena aldeia para entrar num caminho agrícola que nos transporta para uma floresta verdejante. Sempre com água em abundância, encontrámos uma flora diversa que crescia selvagem ao longo do trilho. Uns pés de morangos aqui e acolá foi o que mais curiosidade nos despertou…
Após serpentear por eucaliptais altivos chegámos finalmente às cascatas. A água que nelas caía e que ao longo dos anos castigou a pedra da sua base, formou pequenas piscinas naturais que agora convidam a um prolongado refresco.
Com as quedas de água em pano de fundo, os bolos de bacalhau da avó nem tempo tiveram para apreciar a paisagem…
Regressámos pelo mesmo trilho. Restava matar saudades da família que ainda em Monte Lobos resiste. Felizmente.

Vídeo Álbum Mapa GPS
PR1 - Percurso Pedestre das Quedas de Água das Paredes (Mortágua) Caminho do Xisto da Benfeita - A Frescura das Cascatas (Arganil) Ver Google Maps
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Trilho da Berlenga – Berlengas (Peniche)

Autor: SolaGasta Em 20 - Novembro - 2010

Trilho da Berlenga - Berlengas (Peniche)Viajar para uma ilha é descobrir uma porta para um outro mundo. Um mundo de sentidos, odores e prazeres visuais que dificilmente encontramos em outros locais.
Uma ilha encerra em si um habitat especifico, um certo misticismo transmitido talvez pelo isolamento oferecido pelo mar.
As Berlengas não são excepção. Mas nelas são as aves marinhas que mais ordenam, parafraseando a canção.

Protegidas por água a toda a volta, isoladas da invasão do mundo exterior, o espaço é delas. Gaivotas-argênteas, corvos-marinhos-de-crista, falcões-peregrinos, cagarras e airos, cada metro quadrado lhes pertence. Cada metro cúbico de ar é constantemente invadido pelo seu cantar. É difícil não nos sentirmos os “invasores” em casa alheia.
Este “mundo” fica localizado a 5,7 milhas de distância do Cabo Carvoeiro e é composto por 3 grupos de ilhéus: Berlenga Grande (e recifes adjacentes), Estelas e Farilhões-Forcadas.
A ilha principal, a Berlenga Grande, onde este percurso se realizou tem cerca de 1500 metros de comprimento, 800 metros de largura e 85 metros de altura. As suas condições climatéricas proporcionam características faunísticas e florísticas que fazem deste arquipélago um ecossistema único no mundo. Ao arquipélago foi atribuído o estatuto de Reserva Natural em 03 de Setembro de 1981.

As grutas espalhadas pelo granito róseo da ilha são uma das principais atracções, mas são as suas águas abundantes em peixe, tranquilas e transparentes que mais nos lembram uma qualquer ilha tropical do nosso imaginário. O próximo post será dedicado a uma deliciosa viagem de barco por essas grutas (um pouco “off-topic” do tema do blog mas não poderia deixar de o registar).

Chegámos ao pequeno porto já o sol ia alto e no bairro dos pescadores a azafama era já evidente. Iniciavam-se os preparativos para o almoço.
O carvão aguardava nos fogareiros pela hora certa, altura em que conferiria ao peixe fresco que nele se deitava aquele sabor tão especialmente apreciado.
Ao fundo, encaixada entre os penhascos, a pequena praia do Carreiro do Mosteiro estava já repleta de turistas que desfrutavam de algumas horas de sol e se refrescavam nas águas translúcidas.

Subimos pelo trilho bem delimitado em direcção ao Forte de São João Baptista. Como Reserva Natural, não há livre acesso a toda a ilha pelo que é frequente encontrarmos sinalização que nos lembra isso mesmo.

No topo, o farol construído em 1841 guarda a ilha e quem dela se aproxima. Com 29 metros de altura acumula energia através de painéis solares que depois a transmite em forma de luz a cerca de 50 km de distância.
Algumas centenas de metros à frente surge imponente das águas o Forte de São João Baptista. Com forma heptagonal irregular, foi mandado construir em 1651 por D. João IV. Quinze anos depois, em 1666, foi atacado por uma esquadra castelhana. A guarnição de 28 soldados comandados pelo cabo António Avelar Pessoa aguentou as defesas por 3 dias e quando os espanhóis se preparavam para a retirada, um traidor, de noite a nado, informou-os que a pólvora teria acabado no forte. Um novo ataque surge então. Depois de tomada a praça e feito prisioneiros os soldados que estoicamente aguentaram, é já num barco que os conduzia para Espanha que o Cabo Avelar Pessoa acabaria por morrer.
A sua capacidade de resistência e o seu heroísmo são ainda hoje recordados. O seu nome ainda viaja a bordo de um barco que faz hoje a travessia Peniche – Berlenga.
Hoje, o forte está recuperado. Infelizmente permanece fechado o que nos impediu de o visitar. Foi no seu patamar exterior que descansámos e saboreámos o recheio das mochilas.

Regressámos pelo mesmo trilho até ao bairro dos pescadores onde aguardámos o transporte de barco até Peniche.


Vídeo Álbum Mapa GPS
Trilho da Berlenga (Berlengas - Peniche) Trilho da Berlenga (Berlengas - Peniche) Trilho da Berlenga (Berlengas - Peniche)
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