Arquivo de Maio, 2010

No Alto de São Macário (São Pedro do Sul)

Autor: SolaGasta Em 1 - Maio - 2010

A pouco mais de 10 km a norte de São Pedro do Sul encontramos o Monte de São Macário. Foi ao seu ponto mais alto, a cerca de 1052 m de altitude que fizemos esta caminhada.
Como local de culto religioso atrai todos os anos milhares de peregrinos e forasteiros que lá se deslocam como prova da sua fé.
Como em quase todas as histórias e lendas, existem diversas versões:

“Conta-se que Macário era um homem cuja profissão obrigava a prolongadas ausências de casa. Uma vez, depois de uma dessas ausências, ele regressou a casa mais cedo do que se esperava e encontrou um homem a dormir na sua cama. Julgando que a sua mulher o estava a trair e cego pelo ciúme, logo Macário matou o homem adormecido. Assim que consumou o crime, Macário verificou, horrorizado, que tinha acabado de assassinar o seu próprio pai, que a sua esposa tinha acolhido em sua casa durante a sua ausência. Para expiar tão grande pecado, Macário fez-se então eremita e foi viver para uma gruta, onde passou o resto da sua vida em jejuns e oração.”

In “A Matéria do Tempo

“A lenda diz que, em tempos remotos, S. Macário terá matado uma serpente enorme que aterrorizava os povos da Pena e da região de Covas do Rio. A serpente escondia-se numa cova funda onde apenas saía para espalhar o terror e a morte naquela zona da serra.
Aliviada com a morte do monstro, a população construiu uma capela no alto do monte em honra de S. Macário que, como eremita, viveu inicialmente na cova da serpente e mais tarde na capelinha que ficou com o seu nome.”

In “Arouca.biz

A pequena capela que se vê na fotografia acima foi construída no local da gruta onde hipoteticamente viveu São Macário. Esta capela foi alvo de uma disputa entre duas freguesias vizinhas, S. Martinho das Moitas e Sul, que reclamavam para si as esmolas deixadas pelos fiéis. Para a resolver, construiu-se, no ponto mais alto da serra, a poucas centenas de metros desta, uma outra capela, maior do que esta e abrigada dos ventos por um muro de pedra, a qual foi também dedicada ao Santo.
Assim, cada freguesia ficou com a sua “Capela de São Macário” e a disputa ficou sanada. O interesse dos fiéis divide-se agora entre as duas capelas existentes.

O vento gélido que se abatia sobre o cume da serra paralisava-nos o corpo pelo que, ainda que as grandiosas vistas da Serra da Arada fossem dignas de uma observação mais prolongada, não demorámos muito mais tempo. Descemos em direcção à Aldeia da Pena.

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Aldeia Típica da Pena (São Pedro do Sul)

Autor: SolaGasta Em 8 - Maio - 2010

Num vale profundo, a cerca de 20 km de São Pedro do Sul (Viseu), encontrámos a Aldeia da Pena. Protegida dos ventos da serra e onde o sol apenas consegue chegar algumas poucas horas por dia, é uma das pérolas de xisto da Serra de São Macário.
A aldeia enquadra-se num cenário natural de rara beleza, aninhada no fundo do vale, confundindo-se com a própria serra que a envolve.
A minha primeira visita à Aldeia da Pena ocorreu à cerca de 10 anos aquando de uma passagem d’ano com alguns amigos em São Pedro do Sul. Chegámos ao final do dia à aldeia, quando a iluminação natural já escasseava mas a primeira imagem que tive do lugar acompanhar-me-á para sempre. Hoje, passados 10 anos, parece que pouco ou nada mudou.
Ao chegar, a paisagem é arrebatadora. Iniciámos a descida pela estrada de asfalto aberta à poucos anos atrás.
Do isolamento que durante anos se abateu sobre a aldeia nasceu a lenda do morto que matou o vivo.
Sem acessos rodoviários, os mortos da Aldeia da Pena eram transportados em ombros num esquife (uma espécie de caixão) até ao cemitério de Covas do Rio. O trajecto entre estas duas aldeia é bastante acidentado e numa dessas viagens, o insólito ocorreu e o azarado que carregava a parte de trás do caixão escorregou e este caiu-lhe na cabeça, matando-o, dando assim origem à história/lenda do morto que matou o vivo.

A aldeia merece uma visita demorada…pelos estreitos caminhos, por entre espigueiros, construções de xisto e lousa, e após uma visita à pequena capela, chegámos à loja de artesanato onde nos deliciámos com o trabalho do Sr. António e a sua mulher. A sua arte única para construir minúsculas réplicas de habitações de xisto merece ser reconhecida. No seu pequeno espaço podemos ver tudo o que a inspiração da Pena consegue transmitir através das suas mãos, originando tão belas criações.
Aproximava-se a hora do almoço e entrámos na tasca da aldeia apenas para uns petiscos… saímos bem mais pesados, acreditem…
Junto ao fogão a lenha, o frio das paredes de xisto deixou de se sentir, transformando a pequena sala negra num cantinho acolhedor, com muitas histórias para contar. Começámos com um presunto bem curado que casou muito bem com um um jarro de tinto da casa. Ao lado, algumas fatias de queijo de cabra e broa posicionavam-se para a nossa degustação. Não nos fizemos rogados. Seguimos para um arroz de feijão malandrinho que acompanhava um belo entrecosto e febras grelhadas.
Esta típica tasca é gerida por um jovem casal que tendo raízes na aldeia, desde sempre viveu na cidade.
Há uns anos atrás tomaram a decisão de abandonar o quotidiano citadino para oferecer um sinal de esperança no que diz respeito à sobrevivência da Pena durante os próximos anos. Estando a aldeia quase despovoada na altura, alguma vida nova começara agora a nascer no vale.
Já neste lugar encantado nasceram as suas duas filhas que por ali brincam e correm felizes.
Deixámos a Pena para trás, até à nossa próxima visita, e seguimos para Castro Daire, a última paragem antes do regresso a casa.

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Para informações adicionais visitem o blog “Raizes” ou esta reportagem no “Portal IOL”

Pelas Ruas de Castro Daire (Castro Daire)

Autor: SolaGasta Em 20 - Maio - 2010
“A Vila de Castro Daire, freguesia e sede de concelho, é composta por aldeias limítrofes numa área dos cerca de 32,9 quilómetros quadrados: Arinho, Baltar, Braços, Custilhão, Farejinhas, Fareja, Folgosa, Lamelas, Mortolgos, Mosteiro, Santa Margarida, Vale de Matos e Vila Pouca, contendo 4578 habitantes.
Geograficamente encontra-se situada num cume de um monte, o seu topónimo tem origem num antigo castro que se encontrava na parte mais alta deste lugar. Sabe-se que aqui habitaram romanos devido ao aparecimento de documentos epigráficos. Havia várias pontes romanas, entre elas, a Ponte Pedrinha, demolida em 1877 construindo-se a que ainda hoje possui a mesma designação e onde se encontrou uma lápide podendo data-la da altura do imperador Caio Júlio César. Está historicamente comprovado que Castro Daire fez parte do padroado real e posteriormente à Casa do Infantado.”
in “Câmara Municipal de Castro Daire

Foi já um pouco cansados e “moídos” de tantos quilómetros percorridos que chegámos a Castro Daire. Ainda assim, após deixarmos o automóvel à entrada da vila, percorremos as suas ruas e travessas com alguma réstia de espírito de descoberta. A possível de encontrar nos nossos espíritos cansados.
Descobrimos miradouros sobranceiros ao vale, a imponente Igreja Matriz que se destaca com o seu estilo Neoclássico (século XIX) e a sua torre sineira.
Após descansarmos uns minutos no jardim da vila, regressámos a casa.
Foi sem dúvida um dia preenchido pelos concelhos de São Pedro do Sul e Castro Daire que nos enriqueceu a alma.

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Rota dos Castelos: Penela – Germanelo (Penela)

Autor: SolaGasta Em 26 - Maio - 2010

A “Caminhada da Primavera” em Penela foi organizada pela autarquia local e contou com uma presença bem significativa de caminhantes de todas as faixas etárias e de várias zonas do país.
O ponto de encontro foi junto ao Castelo de Penela e cerca das 10h00 já todos os caminhantes estavam preparados para os 7 km de percurso ( 14 km se optássemos pela opção ida e volta ). Este percurso iria ligar o Castelo de Penela ao Castelo do Germanelo.
Classificado como Monumento Nacional, a construção do Castelo de Penela data do séc. XI. No entanto, o que hoje se pode lá observar remonta somente aos séc. XIV e XV.
Protegida pelas imponentes muralhas, a Igreja de São Miguel tem origem no séc. XII.

No Castelo, além da Porta da Vila, existe uma outra porta denominada Porta da Traição ou dos Campos, que, integrada numa torre, apresenta uma abertura dupla em cotovelo, transparecendo a influência da tradição muçulmana na fortificação portuguesa dos finais da Idade Média.

Com um grau de dificuldade médio/baixo, a caminhada foi avançando a bom ritmo.
Após a descida da vila, entrámos em trilhos de terra batida com campos de cultivo, oliveiras e vinhas como motivo principal da paisagem.
Na passagem por São Sebastião deparámo-nos com um rebanho de ovelhas a correr pelas ruelas em pedra, animadas, em direcção ao tenro pasto.

Seguimos para Besteiro.
Após a passagem pelo lugar, era já possível observar o Castelo de Germanelo ao longe.

O Castelo do Germanelo foi erguido, segundo se consta, entre 1140 e 1142, por D. Afonso Henriques. Dele, a paisagem sobre o vale do Rabaçal é simplesmente deslumbrante. As suas origens podem remontar a um castro romanizado.
Actualmente de propriedade particular, deve-se a reconstrução hipotética da sua muralha norte ao Dr. Salvador Dias Arnaut.

Ao chegar no alto descansámos um pouco inspirando fundo e saboreando as estonteantes paisagens que nos eram oferecidas.
Depois de alimentada a alma, descemos para alimentar o corpo com um reforço alimentar oferecido pela Câmara Municipal, antes do regresso a Penela.
Agradecemos mais uma vez a recepção e parabéns pela actividade!

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