Arquivo de Fevereiro, 2010

Porta de Lamas de Mouro (Melgaço)

Autor: SolaGasta Em 2 - Fevereiro - 2010

A aldeia de Lamas de Mouro situa-se a cerca de 18 kms de Melgaço, a sua sede de concelho.

“De acordo com o Padre Aníbal Rodrigues, toma o nome da qualidade do seu solo – lamas, pastagens de gado cheias de água – e do rio Mouro, que nasce no seu território.
Foi terra com povoamento muito remoto, possuindo alguns vestígios da cultura dolménica e castreja (de origem céltica).”
in “Câmara Municipal de Melgaço

Aqui foi inaugurada em 2004 a primeira das cinco “Portas” previstas para o Parque Nacional da Peneda-Gerês: a “Porta de Lamas de Mouro“.
É uma estrutura correspondente a uma área com cerca de 10 hectares, vocacionada para a recepção, recreio e informação dos visitantes do Parque que durante todo o ano escolhem o Gerês como destino turístico.

Esta Porta, cujo tema é a “Ordenamento do território”, é composta por três edifícios e diversos espaços ao ar livre.

Foi neste espaço que esquecemos a gélida manhã que se abatia na montanha, realizando um pequeno passeio pedestre com cerca de uma hora de duração.
Parte do percurso percorrido foi dentro do Trilho Interpretativo de Lamas de Mouro que ficará para uma próxima oportunidade.

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De Quiaios à Cascata da Serra da Boa Viagem (Figueira da Foz)

Autor: SolaGasta Em 8 - Fevereiro - 2010

Cascata na Serra da Boa Viagem?!?!…Hmm…
A Figueira da Foz é conhecida principalmente pelo extenso areal que ao longo de quilómetros percorre o Atlântico. É nele que o rio Mondego termina o sinuoso e longo percurso iniciado na Serra da Estrela. A norte, a Serra da Boa Viagem é o pulmão de energia do concelho e destino de muitos veraneantes que ali se deslocam nos meses de férias para um piquenique em família ou apenas encher os olhos com uma visita aos miradouros.
Agora uma cascata??! Poucas pessoas ouviram falar…ainda menos saberão concerteza onde fica….
Fomos investigar.

Iniciámos o percurso junto ao coreto no Largo Padre Costa e Silva. Em direcção à praia de Quiaios encontrámos a sede do Grupo Instrução e Recreio Quiaense. Na bifurcação da estrada em asfalto junto à escola, seguimos pela esquerda, entrando numa rua “sem saída”. Esta rua asfaltada dá lugar a um pequeno trilho de terra batida que inicia a subida pela encosta norte da Serra. Algumas dezenas de metros acima, o correr da água é já perceptível. Redobrámos a atenção.
Não sabíamos exactamente o que iríamos encontrar nem se iríamos encontrar alguma coisa e assim fomos subindo, calcorreando o caminho que deixara de ser apenas em terra batida, apresentando cada vez mais formações rochosas.

Escondidos entre arbustos rasteiros, uns rudes socalcos em terra negra convidavam à descida. À nossa frente vislumbrava-se então a misteriosa cascata.

Deparámo-nos com um lugar encantado, escondido do mundo por uma intensa vegetação que também o protege e embala.
A alcalinidade da ribeira que nasce na encosta da Serra da Boa Viagem deixa como que um rasto “vidrado”, resultante do depósito do calcário no curso da água. Indescritível. Podem observar-se vestígios de raízes que outrora envoltas nesse calcário deixaram agora para a posteridade, depois do seu apodrecimento, apenas os “tubos” onde se encontravam. Fenómenos geológicos deveras interessantes.

Uma presa construída em alvenaria possibilitou-nos a passagem para a margem oposta, não sem antes molharmos os pés até aos tornozelos.
Cuidado nesta travessia devido ao piso escorregadio.
O trilho que acompanha a ribeira leva-nos às ruínas de um antigo moinho de água. Aqui deixámos de respirar. Literalmente.

Constituída por diversos socalcos e protegida por uma intensa vegetação, a queda de água surge-nos como um postal de um qualquer país tropical. Algo que aparenta estar um pouco fora do contexto, da envolvente paisagística da zona. Mas o belo é caracterizado precisamente por isso, algo que se destaca da normalidade dentro da percepção que cada um de nós tem do mundo que nos rodeia.

Regressámos à vila saciados. Mistério resolvido.

Apenas uma nota final:
Infelizmente o civismo e a boa educação são palavras ausentes no dicionário de quem resolve deixar a sua marca em “pinturas rupestres” e “juras de amor eterno” nas ruínas do moinho e nas paredes da cascata.

Eterna deveria ser a magia daquele lugar, por isso aqui deixo um apelo: vamos preservá-lo. Não sabemos por quantos anos mais teremos acesso à sua singularidade.
Se o visitarem, deixem por favor tudo igual ao que encontrarem. Não sujem, não vandalizem, não destruam algo que é de todos e a todos deve ser dado a oportunidade de o apreciar.

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Santuário de Nossa Senhora da Peneda (Arcos de Valdevez)

Autor: SolaGasta Em 20 - Fevereiro - 2010

Naquela noite fria o jantar estava incrível. Deliciámo-nos com um cozido à portuguesa à moda de Castro Laboreiro bem regado com uma não inferior colheita de tinto.

As carnes e as hortaliças caseiras não arrefeciam no prato. Tudo sabia ao que realmente deveria saber. A cada garfada descobríamos as couves tratadas na pequena horta, as cenouras tenras crescidas em terras férteis, o cuidado tido na alimentação dos animais, os segredos no tempero e a paciência no fumeiro dos enchidos…a travessa ficou assim vazia em três tempos.

Para sobremesa, conversámos um pouco com o simpático cozinheiro. Depois dos triviais assuntos sobre o prato, os seus condimentos e a sua confecção, abordámos a região, as suas atracções turísticas e tradições.

- Já conhecem o Santuário de Nossa Senhora da Peneda? – perguntou.

Encolhemos os ombros.

Peneda era a sua terra natal. Falou-nos do Santuário, da sua beleza singular, das festas e romarias, enfim…do seu amor pela terra onde nasceu e que o viu crescer.

Não podíamos deixar de a visitar tal foi a forma entusiasta do seu relato.

Assim o fizemos.

Depois de uma noite bem dormida, embalados pela chuva que lá fora teimava em não ceder lugar à neve, cedo arrancámos para o Santuário de Nossa Senhora da Peneda, na freguesia de Gavieira, em Arcos de Valdevez.

Crê-se que neste local existiu uma pequena ermida construída para lembrar a aparição da Senhora da Peneda (ou Senhora das Neves), cujo culto foi crescendo e motivou a construção do santuário, nos finais do século XVIII (data mais provável para o inicio da sua construção).

Diz a lenda que a Senhora da Peneda terá aparecido a 5 de Agosto de 1220, a uma criança que pastoreava por entre aquelas penedias, algumas cabras.

A Senhora apareceu-lhe em forma de uma pomba branca voando ao seu redor. Pediu-lhe que dissesse aos habitantes do lugar da Gavieira para lhe edificarem naquele lugar uma ermida.

A pastorinha, ao chegar a casa, contou o sucedido aos seus pais, mas estes não lhe deram grande crédito.

Mais tarde, quando a pastorinha guardava as cabras no mesmo local, a Senhora voltou a aparecer, agora sob a forma da imagem que hoje existe, e disse que “já que te não querem dar crédito ao que eu mando, vai ao lugar de Roussas onde está uma mulher entrevada há dezoito anos e diz aos moradores do lugar que a tragam à minha presença, para que fique de perfeita saúde, e assim te darão crédito ao que eu te ordeno.”. O nome da mulher era Domingas Gregório.

Assim o fez.

Quando Domingas avistou aquela Sagrada Imagem da Rainha dos Anjos, logo ficou de perfeita saúde, livre e sã de todos os males que padecia.

Daí em diante, todos os anos, na primeira semana de Setembro, muitas centenas de peregrinos, vindos de toda a região e da vizinha Galiza, acorrem a este local de peregrinação.

O nosso percurso pedestre teve inicio no parque de estacionamento sobranceiro à Peneda. Seguimos em direcção ao Santuário.

Um enorme rochedo, o penedo das Meadinhas com a imponência dos seus 300 m de altura, serve de pano de fundo ao local, criando juntamente com o Santuário, todo um quadro envolvente de sagrado e reliogiosidade que dificilmente nos deixa indiferente.

Passámos por alguns pequenos comércios e cafés, onde os souvenirs lutavam pelo seu espaço de visibilidade nas montras e nas entradas dos estabelecimentos.

Descemos o escadório monumental com cerca de 300 m observando à passagem as 20 pequenas capelas que retratam episódios da vida de Jesus. Chegámos à Praça do Calvário com o seu pelourinho.

Regressámos para visitar a imponente igreja e a queda de água que a seu lado compunha a banda sonora perfeita.

A hora do almoço aproximava-se e partimos para Melgaço. A reportagem ficará para o próximo post.

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SOLA GASTA concorre no Super Blog Awards

Autor: SolaGasta Em 25 - Fevereiro - 2010

Até ao próximo dia 24 de Março, o blog SOLA GASTA está a concorrer na categoria de “Cultura e Lazer” em mais um concurso Super Blog Awards.

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